por
Alberto Banach*
Conto aqui histórias que trazem os bastidores da corrida, seus
personagens, suas aventuras, enfim o lado social e humano desse esporte.
Não tenho a pretensão de entrar em detalhes técnicos,
discutir aspectos de nutrição, fisiologia ou qualquer
assunto a respeito de treinamento para corrida, mas falar de curiosidades,
pormenores pitorescos ligados aos atletas.
Mímica, a linguagem universal
Em minhas maratonas internacionais, tive a oportunidade de presenciar
cenas hilárias devido às dificuldades que algumas pessoas
apresentam para se comunicar em vários idiomas.
Hot milk
A
primeira experiência ocorre no Park Lane, um hotel de luxo localizado
em frente ao Central Park, em Nova York. Dois atletas do nosso grupo
estavam no mesmo quarto e, ao final do primeiro dia, após um
jantar com a equipe, recolheram-se aos seus aposentos. Um deles, já
de pijama, comenta com o outro a necessidade de tomar um copo de leite
quente antes de dormir, fato corriqueiro em sua vida. O outro, já
dentro das cobertas, sugere o uso do interfone, que alguém
daria um "jeitinho", pois o hotel estava acostumado com
esse tipo de situação.
Após
um bom tempo no interfone, sobe um funcionário e o nosso atleta,
não conseguindo fazer-se entender, pois não falava nada
em inglês, desespera-se após varias tentativas infrutíferas
de comunicação, resolve pegar um copo, acende um fósforo
debaixo deste e começa a mugir: "muuuuu". Minutos
após, chega um garçom com o leite quente. He
got it...
O
despertador e o avião
O
outro episódio interessante se deu com o nosso grande amigo
Toninho português na África do Sul, quando fomos correr
juntos a Ultramaratona Comrades de 90 km.
Gozando
da merecidas férias em Cape Town, após ter conquistado
essa grande vitoria, nosso amigo me pede a gentileza de confirmar
se a recepção havia entendido o horário em
que deveria acordá-lo para retornar ao Brasil. Prontamente
eu o atendi e confirmei que estava tudo ok.
Curioso,
perguntei como ele havia procedido para passar tal informação.
Ele, orgulhoso pelo sucesso de sua façanha, respondeu-me:
"
Cheguei na recepção e percebendo que ninguém
fala português, mostrei o numero 4 e fiz o barulho do despertador:
"triiiiimmm". Em seguida, para não deixar duvidas,
mostrei o número 6 e bati as asas com meu braço, simulando
um vôo: "zzzzzzzz".
A
minha conclusão foi que, enquanto alguns pobres mortais "perdem"
anos estudando inglês, nosso amigo provavelmente estava se
divertindo no pagode, desenvolvendo "jogo de cintura"
necessário para não ficar na mão dessas situações.
Outras colunas
[5/6] Não provoque uma fera
[19/12] Batidores da corrida
[25/5] Bastidores da Corrida
[27/10] O coelho e o cachorro
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Alberto Banach é empresário e ultramaratonista
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